Crianças tímidas buscam confortos silenciosos. Quando foi que aprendera a chorar escondida? Foi depois de descobrir como fingir que tomava banho. Fechava-se no banheiro, ligava o chuveiro (no começo era a torneira, mas logo percebeu que o barulho não era o mesmo). Com as mãos, respingava água sobre o chão e o tapete. Umedecia a toalha. Com o tempo foi evoluindo rumo à perfeição: pisava no chão molhado do box e deixava as marcas dos pés no tapete. Ligava a água quente para suar os azulejos. E assim fez por quantas noites não se lembra, geralmente em dias frios que lhe impediam despir-se. Mas foi descoberta. Foi? Acordou um dia e lembrou-se da bronca que recebera do pai, o que levou alguns segundos para desfazer-se em memória de um sonho. Até hoje ele sequer suspeita.
Meninas, quando crescem, aprendem a gostar de banhos, especialmente nos dias frios. O sacrifício de expor o corpo ao ar gelado é recompensado com a água quente correndo por ele. Artifício para pensarem que saíra do banho, enquanto permanecia debaixo do chuveiro abraçada em si, jamais encontrou. A bronca que recebeu por desperdiçar a água tentou desfazer... mas era real demais. Quando se cresce a realidade tende a forçar-se acima do sonho.
Meninas, muito jovens mulheres, guardam sofrimentos que ninguém mais compreende. Todos dizem entender, todos clamam conhecer; mas subestimam. “Não é nada, vai passar” – se ela sofre, é claro que trata-se de algo. E que vai passar, sempre lhe foi tão claro – tanto quanto a diferença entre o som da torneira e o do chuveiro.
Romances escondidos requerem lágrimas discretas. Ah, sim! Foi aí que descobriu seu refúgio? Talvez não, mas a história cai bem. À beira do rio encontrou um refúgio para a alegria; onde guardaria a tristeza? Havia de ser mais perto. Um lugar ao qual confiasse o segredo.
--
Encarava os azulejos brancos, em perspectiva, tão próximos de seus olhos molhados. O nariz tão perto da esquina, atrás da porta. Recostava o peito sobre as roupas usadas penduradas na parede, os braços cruzavam-se e as mãos repousavam na cintura. Ela cresceu, mudou-se, mudou. Já não tão tímida, o sorriso lhe caía melhor. Guardara a menina machucada dentro de si, mas essa era forte e esperneava para sair; ela já não era mais tão forte assim. Procurou o esconderijo que nunca a falhara e deixou-a sair. A menina agarrou-se às toalhas e roupas sujas, abraçou-as, respingou-as de lágrimas. Ela podia usar um conforto silencioso. O segredo, como todos os outros, perdeu-se nas superfícies lisas. Ninguém sequer suspeita.
AVISO
esse blog não foi feito para você entender; sequer para você ler.
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quarta-feira, dezembro 17, 2008
quarta-feira, outubro 22, 2008
Amarelinha
(em co-autoria com Maurício Tussi)
Isabela observava atentamente a televisão enquanto chupava os dedos do pé. Uma moça loira de chuquinhas pulava e cantava em um palco quadriculado. "Ela não sabe brincar de amarelinha", concluiu, perplexa.
Um flash multicolorido invadiu a tela acordando-a de seus pensamentos sobre as verdadeiras regras da brincadeira. A mesma moça agora coloria uma lua de cristal, sorria e continuava a pular. "Prefiro colorir sentada no chão", pensou. De repente Pluto e Mickey saltaram à frente do céu estrelado de giz-de-cera e convidaram Isabela para uma viagem: ela era a escolhida, mas precisava desenhar-se no destino para alcaçá-lo.
Após muitos esperneios, sua mãe deixou-a usar os lápis encantados que ficavam guardados em cima da geladeira. Estavam reservados para quando Isabela fizesse dez anos, mas esse era um caso de emergência. E assim se foram resmas e resmas de papel, as paredes de seu quarto, os guardanapos e lençóis. Ela desenhou-se no castelo da Cinderella, na montanha-russa do Pateta, na casa da Minnie Mouse. Mas nada aconteceu.
Deitada no tapete, entre os lápis espalhados, Isabela teve uma visão. Pluto, alado, cochichou em seu pequeno ouvido: "você pode pintar as paredes, mas apenas quem colore seu próprio interior chegará à Disney". Na hora, ela lembrou-se das tintas de papai guardadas na garagem. Saiu correndo de pés descalços e quase tropeçou no degrau.
Com dificuldade, arrancou a tampa de uma lata cor azul-royal. O cheiro encheu suas narinas e, sem respirar, ela tomou um grande gole. O gosto era ruim, mas o sacrifício era válido. Bebeu como se fosse nescau. Sentiu cócegas esquisitas na barriga e os pés foram deixando o chão. Tudo ficou branco. Ao longe, uma torre se erguia entre as brumas. Quando as nuvens se dissiparam, Isabela encontrou seu mundo encantado. Pluto corria em volta do castelo e Mickey acenava lá de baixo. "Vamos brincar de amarelinha?", ele gritou. E ela desceu do céu azul-royal para ensinar-lhe as regras.
Isabela observava atentamente a televisão enquanto chupava os dedos do pé. Uma moça loira de chuquinhas pulava e cantava em um palco quadriculado. "Ela não sabe brincar de amarelinha", concluiu, perplexa.
Um flash multicolorido invadiu a tela acordando-a de seus pensamentos sobre as verdadeiras regras da brincadeira. A mesma moça agora coloria uma lua de cristal, sorria e continuava a pular. "Prefiro colorir sentada no chão", pensou. De repente Pluto e Mickey saltaram à frente do céu estrelado de giz-de-cera e convidaram Isabela para uma viagem: ela era a escolhida, mas precisava desenhar-se no destino para alcaçá-lo.
Após muitos esperneios, sua mãe deixou-a usar os lápis encantados que ficavam guardados em cima da geladeira. Estavam reservados para quando Isabela fizesse dez anos, mas esse era um caso de emergência. E assim se foram resmas e resmas de papel, as paredes de seu quarto, os guardanapos e lençóis. Ela desenhou-se no castelo da Cinderella, na montanha-russa do Pateta, na casa da Minnie Mouse. Mas nada aconteceu.
Deitada no tapete, entre os lápis espalhados, Isabela teve uma visão. Pluto, alado, cochichou em seu pequeno ouvido: "você pode pintar as paredes, mas apenas quem colore seu próprio interior chegará à Disney". Na hora, ela lembrou-se das tintas de papai guardadas na garagem. Saiu correndo de pés descalços e quase tropeçou no degrau.
Com dificuldade, arrancou a tampa de uma lata cor azul-royal. O cheiro encheu suas narinas e, sem respirar, ela tomou um grande gole. O gosto era ruim, mas o sacrifício era válido. Bebeu como se fosse nescau. Sentiu cócegas esquisitas na barriga e os pés foram deixando o chão. Tudo ficou branco. Ao longe, uma torre se erguia entre as brumas. Quando as nuvens se dissiparam, Isabela encontrou seu mundo encantado. Pluto corria em volta do castelo e Mickey acenava lá de baixo. "Vamos brincar de amarelinha?", ele gritou. E ela desceu do céu azul-royal para ensinar-lhe as regras.
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Esposa minha, minha morena
- Querida, cheguei!
E, lá do tanque, responde ela sorridente, enquanto ouve as histórias que trago da rua. Mulher minha, e de quantos ela quiser. Mas esposa, só minha. Olhos negros, em minha frente, à mesa do almoço cozido às pressas... ou com muita calma. Jantar a dois, pãozinho na mesa da cozinha; ou almoço de domingo, com a família toda.
Querida, juntos vemos como nossos filhos cresceram. E às vezes somos pais um para o outro, quando parece que a nós falta crescer.
Ah, minha esposa... Que enquanto fixo meus olhos nesta tela, senta-se na cama e comigo conversa. Quando vejo, já virei a cadeira em sua direção. E conversamos na sala, e conversamos na cozinha e na área de serviço. Outros casais nos invejariam por isso.
Quantos não gostariam de tirar férias da esposa! Pois eu, que vos escrevo, estou de férias. Talvez ela esteja feliz por descansar deste chato. Descansar da família, que sem aviso toca à campainha. Eu não, sinto falta. Nossas escovas de dente dormiam juntas, nossas roupas deitavam-se lado a lado no varal. Todo dia a casa era alegre, e toda noite ganhava eu um beijo, antes de dormir.
Mas o tempo passa, e férias por definição são passageiras. Ah, minha morena...
E, lá do tanque, responde ela sorridente, enquanto ouve as histórias que trago da rua. Mulher minha, e de quantos ela quiser. Mas esposa, só minha. Olhos negros, em minha frente, à mesa do almoço cozido às pressas... ou com muita calma. Jantar a dois, pãozinho na mesa da cozinha; ou almoço de domingo, com a família toda.
Querida, juntos vemos como nossos filhos cresceram. E às vezes somos pais um para o outro, quando parece que a nós falta crescer.
Ah, minha esposa... Que enquanto fixo meus olhos nesta tela, senta-se na cama e comigo conversa. Quando vejo, já virei a cadeira em sua direção. E conversamos na sala, e conversamos na cozinha e na área de serviço. Outros casais nos invejariam por isso.
Quantos não gostariam de tirar férias da esposa! Pois eu, que vos escrevo, estou de férias. Talvez ela esteja feliz por descansar deste chato. Descansar da família, que sem aviso toca à campainha. Eu não, sinto falta. Nossas escovas de dente dormiam juntas, nossas roupas deitavam-se lado a lado no varal. Todo dia a casa era alegre, e toda noite ganhava eu um beijo, antes de dormir.
Mas o tempo passa, e férias por definição são passageiras. Ah, minha morena...
quarta-feira, setembro 27, 2006
Lembrete:
Deitar mais na grama;
Olhar mais as estrelas;
Conversar mais;
Escrever poemas dos sentimentos,
Crônicas só dos fatos.
Mais gargalhadas, menos lágrimas;
Mais caminhadas, menos televisão;
Mais livros, menos trabalhos;
Mais rua, menos cama-cadeira-sofá;
Mais realidade, menos filmes.
Andar mais na chuva;
Tocar mais campainhas;
Falar mais verdades, menos meias-verdades;
Pensar menos, Viver mais.
Olhar mais as estrelas;
Conversar mais;
Escrever poemas dos sentimentos,
Crônicas só dos fatos.
Mais gargalhadas, menos lágrimas;
Mais caminhadas, menos televisão;
Mais livros, menos trabalhos;
Mais rua, menos cama-cadeira-sofá;
Mais realidade, menos filmes.
Andar mais na chuva;
Tocar mais campainhas;
Falar mais verdades, menos meias-verdades;
Pensar menos, Viver mais.
quinta-feira, agosto 10, 2006
Parte II - O Fruto Escarlate
“Papai! Quero ser jornalista que nem você.”
Assim dizia a pequena Fê, menina curiosa e inteligente. O sangue de jornalista realmente corria em suas veias. Por muitos momentos polêmicos passaria Fernanda, e o primeiro deles surgiu já em sua classe de escola primária:
“Ele é verde, como o limão!”
“Não! É amarelo, igual a banana!
A pequena Fê não compreendia o daltonismo de seus coleguinhas. Para ela, era óbvio:
“Gente, o jambo é vermelho! Como a goiaba!”
Não haveria comparação mais inteligente. O limão e a banana nada tinham a ver com o fruto adocicado de leve toque ácido, com casca lisa e forma semelhante à pêra. Mas a goiaba é aparentada do jambo, membro da mesma família de nome esquisito, que só os botânicos conseguem dizer.
Crianças, porém, não se convencem por argumentos racionais. A classe da pequena e esperta Fernanda dividiu-se sob bandeiras verdes, amarelas e vermelhas.
No recreio entre as aulas, sentavam-se as crianças sobre a grama para comer o lanche. Um terço da classe comia goiabas. Outro terço comia bananas. A terceira porção dos pequenos alunos não comia limões, pois estes são azedos, e que criança gosta de coisa azeda?
A forma de defender um ponto de vista parecia insana. Mas a pequena Fê realmente gostava de goiabas! Goiabas, jambos, e tantas outras frutas. Frutas de diversas cores, não só vermelhas. Pois a infância da pequena Fê era assim: colorida e alegre, ao mesmo tempo em que astuta e perspicaz.
Mas faltava-lhe algo. Num fim de tarde, recostada ao tronco de uma carregada goiabeira, pensava ela sobre o futuro. Sentia que havia muito por descobrir, mas não imaginava o que poderia ser! Será que... “Paft!”
Sua cabeça doía. Uma dor forte, concentrada no topo de sua cabeça. Ainda massageando-a com a mão também pequena, pequena Fê avistou rolando ao seu lado uma esfera esverdeada. Apanhou-a, e com uma mordida descobriu a firme polpa escarlate sob a casca espessa. Não percebia ela a tamanha contradição entre aquele exato momento e as descobertas que seu futuro a traria. Então, não pela última vez, pequena Fê saboreou o fruto que podia ter a resposta para suas perguntas e aspirações.
.
.
.
A Parte I (O Pequeno Alessandro), pra quem não leu.
Assim dizia a pequena Fê, menina curiosa e inteligente. O sangue de jornalista realmente corria em suas veias. Por muitos momentos polêmicos passaria Fernanda, e o primeiro deles surgiu já em sua classe de escola primária:
“Ele é verde, como o limão!”
“Não! É amarelo, igual a banana!
A pequena Fê não compreendia o daltonismo de seus coleguinhas. Para ela, era óbvio:
“Gente, o jambo é vermelho! Como a goiaba!”
Não haveria comparação mais inteligente. O limão e a banana nada tinham a ver com o fruto adocicado de leve toque ácido, com casca lisa e forma semelhante à pêra. Mas a goiaba é aparentada do jambo, membro da mesma família de nome esquisito, que só os botânicos conseguem dizer.
Crianças, porém, não se convencem por argumentos racionais. A classe da pequena e esperta Fernanda dividiu-se sob bandeiras verdes, amarelas e vermelhas.
No recreio entre as aulas, sentavam-se as crianças sobre a grama para comer o lanche. Um terço da classe comia goiabas. Outro terço comia bananas. A terceira porção dos pequenos alunos não comia limões, pois estes são azedos, e que criança gosta de coisa azeda?
A forma de defender um ponto de vista parecia insana. Mas a pequena Fê realmente gostava de goiabas! Goiabas, jambos, e tantas outras frutas. Frutas de diversas cores, não só vermelhas. Pois a infância da pequena Fê era assim: colorida e alegre, ao mesmo tempo em que astuta e perspicaz.
Mas faltava-lhe algo. Num fim de tarde, recostada ao tronco de uma carregada goiabeira, pensava ela sobre o futuro. Sentia que havia muito por descobrir, mas não imaginava o que poderia ser! Será que... “Paft!”
Sua cabeça doía. Uma dor forte, concentrada no topo de sua cabeça. Ainda massageando-a com a mão também pequena, pequena Fê avistou rolando ao seu lado uma esfera esverdeada. Apanhou-a, e com uma mordida descobriu a firme polpa escarlate sob a casca espessa. Não percebia ela a tamanha contradição entre aquele exato momento e as descobertas que seu futuro a traria. Então, não pela última vez, pequena Fê saboreou o fruto que podia ter a resposta para suas perguntas e aspirações.
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A Parte I (O Pequeno Alessandro), pra quem não leu.
segunda-feira, julho 10, 2006
Parte I - Pequeno Alessandro
Pequeno Alessandro era uma criança feliz. Sua mae lhe dera um Playstation de presente. O sol brilhava lá fora, e o pequeno Alessandro exercitava incansavelmente seus dedos dia após dia. Todos aplaudiam e se admiravam com a destreza de seus movimentos.
Um nao tao belo dia, enquanto se preparava para mais uma maratona no videogame, o garoto viu algo que nao esqueceria facilmente: calabouços, fortalezas, artefatos e armas mágicas, e uma princesa chamada Zelda. “Mano! Eu quero este jogo!”, disse o pequeno Alessandro atônito em frente à televisao. Seus ágeis dedos tremiam sob a perspectiva de sentir a vibração de tao excitante aventura.
Nao teve a coragem, porém, de pedir à sua mae. Afinal, acabara de ganhar um Playstation. Mas o desejo tomava a alma de pequeno Alessandro, e a oportunidade apareceu. Um vizinho vendia um Nintendo 64 por apenas setenta reais. Pequeno Alessandro economizou por meses. Finalmente, com uma só martelada espatifou seu porquinho de cerâmica cor-de-rosa, juntou um saco de moedinhas e foi à casa ao lado em busca de seu sonho.
Com um sorriso de orelha a orelha, entrou triunfante pela porta da frente, carregando sua própria princesa Zelda, que a tanto custo resgatara: o console Nintendo. Nao muito mais durou a felicidade do pequeno Alessandro. Corou as morenas bochechas respondendo à pergunta de sua mae: “Eu comprei do vizinho, mano.” Furiosamente a maldosa mulher tirou Zelda de seus braços e devolveu-a ao seu calabouço na casa vizinha, de muros tao altos. Com este mesmo gesto, aprisionou o pequeno Alessandro a uma ilusao.
O pobre menino nao comia, nao dormia, nao mais exibia suas incomparáveis habilidades no joystick. O pequeno Alessandro apenas observava, apático, a vida fluindo a sua volta. Sua costumeira energia minguava, até afogar-se por completo nos olhos de um pequeno menino desiludido.
(Continua...)
Um nao tao belo dia, enquanto se preparava para mais uma maratona no videogame, o garoto viu algo que nao esqueceria facilmente: calabouços, fortalezas, artefatos e armas mágicas, e uma princesa chamada Zelda. “Mano! Eu quero este jogo!”, disse o pequeno Alessandro atônito em frente à televisao. Seus ágeis dedos tremiam sob a perspectiva de sentir a vibração de tao excitante aventura.
Nao teve a coragem, porém, de pedir à sua mae. Afinal, acabara de ganhar um Playstation. Mas o desejo tomava a alma de pequeno Alessandro, e a oportunidade apareceu. Um vizinho vendia um Nintendo 64 por apenas setenta reais. Pequeno Alessandro economizou por meses. Finalmente, com uma só martelada espatifou seu porquinho de cerâmica cor-de-rosa, juntou um saco de moedinhas e foi à casa ao lado em busca de seu sonho.
Com um sorriso de orelha a orelha, entrou triunfante pela porta da frente, carregando sua própria princesa Zelda, que a tanto custo resgatara: o console Nintendo. Nao muito mais durou a felicidade do pequeno Alessandro. Corou as morenas bochechas respondendo à pergunta de sua mae: “Eu comprei do vizinho, mano.” Furiosamente a maldosa mulher tirou Zelda de seus braços e devolveu-a ao seu calabouço na casa vizinha, de muros tao altos. Com este mesmo gesto, aprisionou o pequeno Alessandro a uma ilusao.
O pobre menino nao comia, nao dormia, nao mais exibia suas incomparáveis habilidades no joystick. O pequeno Alessandro apenas observava, apático, a vida fluindo a sua volta. Sua costumeira energia minguava, até afogar-se por completo nos olhos de um pequeno menino desiludido.
(Continua...)